Espaço Aberto

23/09/2017

BR-386: pedágios

Após rodada de audiências públicas, a Agência Nacional dos Transportes (ANTT) publicou o edital de concessão das BRs 386, 290, 101 e 448. Apesar da resistência oferecida por usuários, entidades de classe e autoridades, a concessão parece que vai mesmo acontecer a partir de 2018. No caso da BR-386, principal de via de acesso e escoamento da produção da nossa região para a Capital do Estado e demais localidades, quatro praças deverão ser instaladas, em 265 quilômetros, nas cidades de Tio Hugo, Soledade, Fazenda Vilanova e Montenegro.

 

Para este deslocamento, não bastassem os constantes aumentos dos combustíveis, o motorista de um carro de passeio, por exemplo, terá acréscimo nas despesas de viagem de R$ 29,92 na ida e o mesmo valor na volta. É isso mesmo meu amigo. A viagem a Porto Alegre se tornará mais cara, de 8% a 12%, para você motorista, para você passageiro do ônibus, que terá este aumento repassado através do bilhete de passagem, e para você empresário e agricultor, que terão esta despesa diluída no valor do frete.

 

A ANTT projeta que a empresa vencedora da concessão deverá investir R$ 15,1 bilhões, em 30 anos de contrato. Em 12 anos deverá estar pronta a duplicação entre Lajeado e Carazinho. Também está prevista a construção de passarelas para travessia de pedestres, passagens inferiores e vias marginais em perímetros urbanos. A agência estima um retorno próximo de R$ 1,6 bilhão em imposto aos municípios ao longo do contrato. Outros R$ 30 milhões serão aplicados em ações relacionadas ao trânsito e a prevenção de acidentes, com aparelhamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), instalação de câmeras de monitoramento, postos de atendimento, bases operacionais e balanças de pesagem. Também deverá ter ambulâncias, guinchos, entre outros equipamentos de socorro.

 

Mas se você acha que agora terá a estrada totalmente recuperada, em perfeitas condições para a sua viagem, se enganou. A ANTT deixou fora todo o trecho que corta a região Norte do Estado, de Carazinho a Iraí (175 quilômetros), alegando que não há tráfego suficiente para custear as obras de melhorias e manutenção necessárias para este percurso. Caso aceitasse incluir esta parte da estrada, além de um novo pedágio, os valores das demais praças deveriam ser alterados para mais. Ou seja, quem trafega nesta região não tem direito a uma via com segurança e bem sinalizada. Vamos ver se, pelo menos, o DNIT, que não vai mais ter o compromisso com o restante da rodovia, cuidará melhor da manutenção dos quilômetros restantes que ficarão. Analisando friamente, nossa região vai pagar o pedágio, mas não vai usufruir dos benefícios.

 

Desenvolvimento

Na primeira semana de setembro estive em Palmitinho e, ao conversar com os técnicos da Secretaria Municipal da Agricultura, recebi uma planilha com dados de 2016 sobre a produção primária de Palmitinho.

 

A equipe de jornalistas da Vitrine do Povo publica nesta edição uma ótima matéria, riquíssima de informações e dados sobre este setor, com base na suinocultura, carro chefe da economia, que gerou volume de negócios de quase R$ 80 milhões. A avicultura também é forte, representando quase R$ 18 milhões em negócios. Além do leite que produziu mais de 10 milhões de litros. Outros setores da produção primária também se destacam como unidades produtoras de leitões, criação de bovinos, fumo, frutas e verduras que apresentam números satisfatórios em relação a outros anos e a tendência é que isso esteja aumentando em 2017.

 

Os números que constam na reportagem dos colegas Dejair e Poliana significam a circulação de recursos no comércio do município, que tem por tradição a agricultura como atividade principal para a sobrevivência das famílias.

 

Este cenário está provocando o efeito inverso na questão da moradia. Muitas famílias que nas décadas de 1980 e 1990 mudaram-se para grandes cidades em busca de emprego, hoje estão vendo a perspectiva de voltar para a terra natal com a possibilidade de investir na agricultura, abrir um negócio, ou até mesmo trabalhar de empregado.

 

Nossos governantes precisam estar preparados para absorver e gerenciar este processo de desenvolvimento, que ainda é tímido, mas vai se intensificar. Se bem organizado, todos temos a ganhar com isso, em diversos aspectos.

 

Preocupação

O alto volume de animais, suínos, aves e bovinos, alojados em Palmitinho gera uma preocupação geral em torno do que fazer com os dejetos. Tema que será abordado na coluna do próximo mês. Aguarde.

 

Saudações

- Nosso conforto ao amigo Paulino Garcia e família, da Esquina do Comércio, que passam por momento difícil.

- Ao amigo Sadi Zuchi e a Maria, pelo açúcar mascavo maravilhoso.

- Queijo bom tem no Lajeado Leão, feito pelo cunhado Dinei da Silva e pela sobrinha Maira.

- E na parte do salame, ninguém supera meu irmão Clebinho. Mas segundo ele: “Só pra consumo interno da família”.

 

Obrigado pela leitura e um forte abraço a todos!

 

EDERSON DA ROCHA

Jornalista MTE 13.365

ederocha42@gmail.com

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