ERS-528: Sonho ou realidade?

20/11/2017

 

 

 

Responsável pela escoação da maior parte da produção dos Municípios de Palmitinho e Pinheirinho do Vale, a ERS-528, volta a ser o centro das atenções com a aproximação de mais um pleito eleitoral.

As recentes informações de que a obra pode ser retomada nos próximos meses deixou moradores e lideranças dos dois municípios desconfiados, mas ao mesmo tempo esperançosos com a possível retomada da obra com extensão de 18km.

O recente anúncio foi dado pelo Prefeito Municipal, Luiz Carlos Panosso, e carimbado por um dos principais aliados do Governador Jose Ivo Sartori, o Deputado Estadual Edson Brum. Conforme Panosso, as tratativas para a retomada das obras estão em fase adiantada e o Secretário de Obras, Pedro Westphalen, deve apresentar um cronograma das ligações a serem retomadas no Estado, entre elas a ERS-528.

De acordo com as fontes do Governo do Estado, os recursos seriam oriundos das Contribuições de Intervenção de Domínio Econômico (CIDE) – Que são impostos cobrados sobre combustíveis. Esses recursos seriam usados para a retomada de ao menos 15 trechos no Estado.

Em recente entrevista a Rádio Cultura FM, o Prefeito Municipal, Luiz Carlos Panosso, disse acreditar na retomada da obra, que é de grande importância para os municípios, salientou. Panosso disse ainda que aguarda uma audiência nas próximas semanas onde será aprofundada a discussão e apresentado um cronograma com indicativo de datas para a retomada dos trabalhos, relatou.

 

A importância da RS-528 no escoamento da produção

 

Conforme dados da Secretaria Municipal da Fazenda de Palmitinho, já entregues durante visita a parlamentares e em audiências que trataram sobre a obra, o Estado arrecadou R$ 16.908.365,00 em 2016. Somente este valor pagaria toda a obra que está orçada entre R$ 12 e R$ 15 Milhões.

Em 2015 foi arrecadado pelo Estado aproximadamente R$ 12.913.290,00, sendo que estes números devem ser ainda maiores quando do fechamento do ano de 2017.

A arrecadação se refere ao valor adicionado e retorno de ICMS da atividade primaria dos dois Municípios, mas conforme lideranças o montante é bem maior se considerada a importância do trecho para a indústria e comércio das duas comunidades.

 

Ausência do asfalto afasta empresas e traz dificuldades de trafegabilidade

 

A falta da estrada acaba ocasionando na desistência da vinda de novas empresas com potencial para se instalarem nos municípios. Além disso, a dificuldade do transporte com os danos causados em veículos em decorrência das condições do trecho são frequentemente relatadas.

Conforme um dos motoristas que passa diariamente pela estrada, o trecho é de difícil acesso e ocasiona eminentes riscos. O caminhoneiro, Sedeni Pereira(30), relata que frequentemente ocorrem danos ao caminhão no qual trabalha, pertencente a uma empresa de transporte de ração. “Cada vez que se fala em levar ração a Pinheirinho do Vale, os motoristas querem evitar esse trajeto pelas condições da estrada”, comenta.

Sedeni descreve que passa pelo trecho todos os dias e convive com as dificuldades. “são quase 20km de chão puro e vejo que essa é urgente, pois pagamos impostos e não temos este retorno”, reclama.

O condutor é natural de Pinheirinho do Vale e descreve também as dificuldades que se enfrenta quando ocorrem problemas com doenças. O transporte de uma pessoa doente até o Hospital de Palmitinho representa um grande sofrimento, pois as condições, principalmente das vilas, é de calamidade, ressalta.

Outro problema citado por moradores se reflete, inclusive, na qualidade de vida dos mesmos, pois os vizinhos a rodovia convivem com a poeira ocasionada pela passagem de veículos, o que gera riscos a saúde e o acumulo de pó que deterioram equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos.

 

Histórico da Obra

 

A ERS-528 espera pela pavimentação asfáltica desde meados de 1998 quando, no governo de Antônio Britto (PMDB), foi lançado o programa Nenhuma cidade sem asfalto. Neste período, começaram as primeiras movimentações da empresa Camargo Corrêa para a realização da obra.

Logo após as eleições de 1998 as obras foram paralisadas e com a troca de Gestão em 1999, o novo governador, Olívio Dutra (PT), cancelou as obras do programa, dizendo que o antigo governador havia iniciado estas com fins eleitorais e que não haviam ficado recursos disponíveis para a conclusão. Após passou o Governo de Germano Rigotto(PMDB) e as obras foram retomadas somente na parte final do governo de Yeda Crusius(PSDB), em 2010.

Nos anos de 2010 e 2011 a empresa Camargo Corrêa trabalhava em ritmo acelerado até que, no final de 2011, o ritmo foi decaindo e então à empresa retirou seus maquinários e anunciou a desistência da obra. Nos anos seguintes, no então Governo de Tarso Genro (PT), as lideranças dos dois Municípios realizaram várias formas de pressão e uma nova licitação chegou a ser realizada, mas por falta de recursos as obras não foram mais retomadas.

As esperanças voltam a suscitar em 2017, novamente em ano pré-eleitoral, com o recente anúncio de que a ligação asfáltica possa ocorrer através da liberação de recursos da CIDE, os impostos cobrados sobre combustíveis. A notícia mexeu com os ânimos dos moradores de Palmitinho e Pinheirinho do Vale, apesar de muitos não acreditarem na retomada da obra.

 

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