Família decide por doação de órgãos após morte de jovem

25/01/2018

 

    A família de Rany Fábio Araújo de Souza Segundo, que morreu na sexta-feira 12, em um acidente de motocicleta na RST 472  em Palmitinho, optou por doar todos os órgãos do jovem de 18 anos, em uma atitude para enfrentar o sofrimento.
Segundo a mãe de Rany, Lusilene Leite, quando foi informada de que o filho estava com morte cerebral, no Hospital São Vicente de Paulo, o sentimento que sempre guardou em si, de optar pela doação de órgãos aflorou e então informou a enfermeira de seu desejo. “Claro que nunca esperei em perder um filho, mas eu sempre pensei em doação de órgãos. Quando ela me informou que foram feitos testes e o cérebro dele não estava respondendo, na hora eu falei que queria doar”, conta. Com o procedimento a espera para os atos fúnebres do jovem foi atrasada e somente ocorreu no domingo(14). 
    A família optou pela doação de todos os órgãos possíveis, ossos, córneas, cartilagens, que de acordo com a mãe irão ajudar muitas pessoas e “um pouco dele se manter vivo, mesmo que eu nunca saiba quem recebeu”.


Família que a vida lhe deu
    Rany nasceu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, mudou-se para  Palmitinho com 10 anos de idade, onde passou a residir com a mãe e o padrasto Everaldo Bonafé e a nova família. Possuía grande  respeito  pelo  padrasto, assim  como  tinha uma grande  admiração  pelos irmãos  que  a vida te trouxe  Humberto  e Everton. “Dia  1º de janeiro  num amigo  secreto  ele agradeceu pela  família  pelo vô, tios e tias primos e a vó que a vida deu”, lembra a mãe.
Ele gostava muito de Mossoró, de acordo com a mãe, mas não queria voltar a morar lá.
O jovem conquistou muitos amigos em Palmitinho. Formou-se no ano de 2016 no Ensino Médio, no Instituto Estadual de Educação 22 de Maio. Colegas e professores fizeram diversas homenagens nas redes sociais.

 

O jovem se preparava para seguir a carreira militar
     Lusilene conta que Rany sempre gostou de ajudar, trabalhou com seu padrasto  Everaldo  na marcenaria, depois  foi trabalhar  na Marcenaria  Prevedello, de lá  foi na Metalúrgica  do  Albarello e por último na Construtora Primo, “onde amadureceu muito” completou.
Ele estava em idade para servir ao Exército Brasileiro e contava os dias para isso. Neste dia 19 de janeiro ele seguiria seu sonho.

 

Sonho interrompido
     O sonho da carreira Militar foi interrompido em uma curva da RST 472, no quilometro 15.  A família ainda busca explicações de como ocorreu o acidente.
Segundo o irmão, Everton Bonafé, o jovem era inexperiente e passara a pilotar há poucos meses. 
Naquela noite o padrasto se deslocou à Frederico Westphalen, para buscar Lusilene, “ele deveria ter ido junto me buscar, mas se atrasou para cortar o cabelo e o Everaldo foi” e ao retornarem perceberam que havia acontecido um acidente na rodovia, mas como já havia socorro, não pararam. Momentos depois receberam uma ligação informando de que Rany havia caído de moto.
    O acidente aconteceu por volta das 22h. Segundo populares o jovem teria caído na curva e colidindo em uma árvore às margens da rodovia. A Brigada Militar não foi acionada.
     O jovem foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e encaminhado ao Hospital Santa Terezinha.  “O Hospital fez tudo o que podia ser feito, com muita agilidade. Sabemos disso. Eles correram muito para conseguir a transferência e nada mais poderia ser feito”, destacou Everton.
A constatação da morte do jovem se deu no início da tarde de sábado(14), no Hospital São Vicente de Paulo em Passo Fundo.
A Polícia Civil deve investigar as causas do acidente. Segundo o inspetor Pedro Winck, a família ainda não havia comparecido para registrar a ocorrência, até o fechamento desta edição, mas já foi orientada para que isso seja feito.
Ainda segundo o inspetor é importante que a comunidade informe os órgãos de segurança competentes sempre que houver casos de acidente.

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