A Vida de um Pai Caminhoneiro: Uma história de 46 anos na estrada

Nesta edição, em referência ao Dia dos Pais e ao Dia do Colono e Motorista, o VP traz uma história que começou em 1972 e já percorreu o Brasil inteiro e ao menos seis países da América do Sul. Este é resumo da trajetória do palmitinhense, Gelio Paulo Balestrin(65), natural da Linha Boa Vista e caminhoneiro desde os 19 anos de idade.


Nascido de uma família de seis irmãos, Gelio optou cedo pela profissão de Caminhoneiro e abriu mão dos estudos para se dedicar ao trabalho. “Estudar era muito difícil na época. O pai e a mãe não tinham condições, então escolhi ser caminhoneiro”, conta.


Aos 19 anos iniciou a profissão na já extinta empresa Cepiarello, uma junção das tradicionais famílias Piaia e Albarello. Após o casamento com a também palmitinhense, Cleusa Albarello Balestrin(57), e o nascimento da primeira das três filhas, Prescila Balestrin(37), a família mudou-se para o Centro-Oeste do país, onde permaneceu por 12 anos. “Foram 5 anos em Maracaju/MS e 7 anos em Rondonópolis/MT”.


Durante o período no Centro-Oeste nasceu a segunda filha, Paula Balestrin(33). Gelio lembra dos anos em que viajou acompanhando da esposa e das filhas, pois não tinha residência fixa. “Eu não tinha casa para morar, só tinha o caminhão, então elas tinham que viajar junto”, relembra.


Pouco tempo após o nascimento da segunda filha, a família decidiu retornar a Palmitinho. No retorno, Gelio lembra da construção da casa própria e do nascimento da terceira filha, Geovanna, hoje com 20 anos. Porém, as viagens continuaram e o contato com a família ocorria através das escassas linhas telefônicas da época e em meio às viagens que duravam até 30 dias. “Eu continuei na estrada, fiz muito nordeste, ficava até 30 dias fora. Hoje é prático, mas no início era muito difícil, não tinha telefone e às vezes só conseguia entrar em contato com a família uma vez por semana”, relata.


Voltando a Palmitinho, Balestrin trabalhou por mais 15 anos nas empresas do Grupo Albarello. Em 2008, com a economia feita ao longo dos anos, Balestrin comprou seu próprio caminhão e desde então trabalha com sua própria empresa.


Gelio relata as dificuldades enfrentadas nos longos anos de estrada, mas destaca os aprendizados e o grande conhecimento adquirido, conhecendo todas as regiões do país e por diversas vezes levando cargas para outros países, como: Argentina, Paraguai, Bolívia, Uruguai e Chile. “Hoje conheço todo o Brasil e já fui em vários outros países. Os anos de estrada permitiu que eu conhecesse muitos lugares diferentes”, conta.


Para a reportagem do VP, Balestrin fala que com a chegada da aposentadoria, pretende deixar a profissão nos próximos anos e se dedicar exclusivamente a esposa, as filhas e a primeira neta, Luiza Vitória, de 5 aninhos.


Em meio às viagens nunca faltou atenção à família

Ao relatar como é a vida de esposa de caminhoneiro, Cleusa lembra das dificuldades e das preocupações com o marido, em lugares distantes e na estrada. “não é fácil ser esposa de caminhoneiro. Além de viver preocupada com o marido na estrada, também era preciso se virar sozinha, pois quase nunca tinha o marido em casa”, descreve.


A esposa lembra também das dificuldades enfrentadas e conta como foi à fase de superação para conseguir criar as três filhas. “Criei as filhas praticamente sozinha, principalmente a Prescila e a Paula, pois morávamos no Mato Grosso e o Gelio passava o maior tempo na estrada. Com a Giovanna foi mais fácil, pois já estávamos morando aqui”, relata.


Apesar dos anos de estrada, Balestrin sempre foi um pai prestativo e apegado à família, conforme descreve a esposa Cleusa. “O Gélio sempre esteve preocupado com a família, ligava para saber como estávamos e dava notícias. No início não foi nada fácil, pois casamos e fomos morar no caminhão e a Prescila era bebê, mas com o tempo foi melhorando”, conta.


A história da família do Gelio é um dos exemplos de superação de famílias de nosso município. Um exemplo de pai e de profissional. Mais uma história descrita pelo VP, em forma de Homenagem ao Dia do Colono e Motorista, transcorrido no último mês de julho, e oo Dia dos Pais, comemorado neste domingo.

Fotos: Arquivo da família