Especial Farroupilha: Nossa Cultura. Por Vercedino Albarello

03/10/2020

Como surgiu. O que comemoramos?

Neste ano de pandemia, sem os festejos com grandes manifestações em praças e salões, parece que o gaúcho encontrou tempo para mais informações a respeito do que foi a Revolução dos Farrapos, suas causas e suas consequências.

 

As causas: já abordei mais detalhadamente isto por ocasião dos festejos do ano passado quando tive a honra de ser o Patrono da Semana Farroupilha 2019 em Palmitinho, as causas foram, resumidamente, o descaso do Império, a carga tributária, as barreiras para entrada e saída do gado no Uruguai, que se tornara independente, a sobretaxa do charque que saía daqui para alimentar escravos em São Paulo e Minas e, tudo isso, bafejado pelos ares liberais que sopravam desde a Europa, animando nossos líderes.

 

As consequências: a guerra, as lutas fraticidas, o derramamento de sangue sem resultados, o desgaste físico, emocional e material, levou o movimento à exaustão obrigando a assinatura do Tratado de Ponche Verde, sem, praticamente, nenhuma vantagem.

 

O que ficou? A marca de bravura de um povo que foi às últimas consequências para exigir o respeito das Autoridades no cumprimento de seus deveres para com seus súditos. A dedicação extrema em busca de seus ideais de amor à Liberdade e grandeza de convicções representada no sentimento de Igualdade e Humanidade, lutado até à morte para alcançá-los.

 

E os Festejos Farroupilhas buscam preservar, justamente, estes valores e feitos, muito mais que os resultados de uma guerra perdida.

 

Como foi o início dessa Comemorações?

 

Tudo tem início em agosto de 1947, no Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre. Um punhado de jovens estudantes, liderados por Paixão Côrtes, fundam, dentro do Grêmio Estudantil, um Departamento de Tradições Gaúchas com a finalidade de encontrar uma trilha, através de ações culturais, reuniões sociais e recreações campeiras, para regauchar o Rio Grande, pois que estava perdendo sua “fisionomia”. E um desses eventos sociais marcantes foi o acendimento da CHAMA CRIOULA, já no dia 7 de Setembro do mesmo ano, colhendo a centelha para o candeeiro histórico, alí, na Pira da Pátria. Enquanto uma era extinta, outra se acendia para ser reverenciada no rancho gaudério imortalizada através da história, por todos aqueles que sentem orgulho de ser gaúcho. Eu, particularmente, tive a alegria e privilégio de desfrutar de agradáveis momentos em companhia de 3 grandes vultos dessa bela história. Paixão Côrtes, Barbosa Lessa e Glauco Saraiva têm seu lugar de destaque na Cultura Gaúcha pelas suas contribuições em pesquisas e escritos. Suas Obras serão sempre lembradas por quem, efetivamente, buscar o saber na fonte. Claro, para quem quiser saber quem formava esse primeiro piquete no Júlio de Castilhos, deixo aqui seus nomes: Paixão Côrtes, João Antônio de Sá Siqueira, Cilço Campos, Ciro Dias da Costa, Fernando Machado Vieira, Orlando Degrazzia, Cyro Ferreira e Antônio Machado Ferreira.

 

E o CTG Estância dos Carreteiros?

 

É assunto pra outro momento.

  

Vercedino Albarello

Ex-prefeito e ex-patrão do CTG Estância dos Carreteiros de Palmitinho

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