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AVC: nova etapa em cirurgia para tratar coágulos melhora a recuperação de pacientes

  • há 12 horas
  • 3 min de leitura
Foto - American Heart/Divulgação
Foto - American Heart/Divulgação

Pesquisadores encontraram uma forma de melhorar os resultados da cirurgia para acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico – aquele causado por um bloqueio de uma artéria, impedindo o pleno funcionamento do cérebro. A ideia para ter melhor resultado na trombectomia (nome que se dá à operação) é combiná-la à rápida infusão de um medicamento já conhecido e comum no tratamento do AVC, chamado alteplase, usado para dissolver coágulos. Tanto a operação quanto o medicamento são liberados no Brasil.


A análise foi apresentada na International Stroke Conference (ISC), em Nova Orleans, nos Estados Unidos, e é ligada à American Heart Association. O pesquisador principal da análise, Ángel Chamorro, professor de Neurologia na Universidade de Barcelona, mostrou no estudo que a nova abordagem foi avaliada em pacientes que sofreram bloqueios de grandes artérias, que são 1 em cada 4 AVCs isquêmicos.


Esse tipo de acidente, porém, é muito associado à morte e a sequelas permanentes, porque justamente bloqueia artérias importantes para irrigar partes significantes no cérebro, comprometendo o funcionamento do orgão e causando o risco de danos permanentes.


Na pesquisa, a equipe de Chamorro avaliou o desfecho de cerca de 400 pacientes com AVC de artérias grandes, que foram tratados de 4,5 a 24 horas após os primeiros sintomas. O pesquisador, porém, lembrou que “quanto antes” ocorrer a intervenção, melhor.


“A trombectomia deve ser como nós fazemos agora, mas uma vez que você se liberou dos coágulos grandes que impedem a circulação sanguínea, é preciso que ocorra o uso de uma droga, um trombolítico (dissolvedor de coágulos), para facilitar a dissolução de pequenos bloqueios que ocorrem além do que nós somos capazes de ver com a angiografia”, afirmou Chamorro ao jornal O Globo. “O material (da pesquisa) deveria já ser o suficiente para os médicos tomarem suas decisões de mudar suas práticas e decidir se essa abordagem deveria ser incorporada em guidelines. Minha opinião é que eles vão incluir, talvez leve um tempo.”


Os participantes foram divididos em dois grupos. Metade deles (219) fez a cirurgia de remoção de coágulos e outra parte (214) de pessoas recebeu a cirurgia e o medicamento. A pesquisa acompanhou os dois grupos por 90 dias e descobriu que os pacientes que combinaram a cirurgia e a droga evoluíram melhor.


O grupo que teve acesso ao medicamento se mostrou mais provável a ter um resultado considerado “excelente” na recuperação. Dos avaliados, 57,5% dos que receberam a droga tiveram esse desfecho, contra 42,5% dos que não receberam. Esse grupo também se mostrou menos provável (28,6% contra 50,5%) de ter algum tipo de fluxo sanguíneo inadequado em vasos menores do cérebro.


Em geral, esse grupo também se classificou em níveis mais altos do que o grupo anterior em habilidades, autocuidado e ao performar atividades comuns do dia a dia. O volume de outros sangramentos cerebrais também foi ligeiramente menor.


“Nós costumávamos usar essa droga antes ou durante a cirurgia, e (a nova estratégia) traz um equilíbrio. Porque esses coágulos são muito resistentes a se abrir, contudo, com o apoio mecânico da cirurgia, com a saída da oclusão, a droga é muito mais efetiva para ser usada”, afirma o médico. “O medicamento é conhecido, mas era dado muito cedo ao paciente. Agora sabemos como a história funciona. Essa é a grande mudança.”


Essa não é a primeira vez que esse tipo de pesquisa é feito. Uma etapa anterior do estudo, publicado em 2022, também feita pelo mesmo pesquisador, já indicava a melhora de indicadores em pacientes que passavam pela combinação de cirurgia e infusão. O estudo, contudo, tinha um número muito pequeno de participantes porque ocorreu ao longo do momento mais crítico da pandemia de Covid-19, o que comprometeu o recrutamento de participantes. As informações são do jornal O Globo.








Fonte - O Sul

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