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Comitê do Banco Central contraria governo e mantém taxa de juros inalterada


Na segunda reunião sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) decidiram manter a taxa básica de juros da economia nacional, a Selic, em 13,75% ao ano. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, ao final do segundo dia do encontro, contrariando o que o presidente queria: a diminuição do valor da taxa.


Para o governo Lula, o atual patamar da Selic é visto como um entrave para o crescimento econômico do país. O Copom disse que a decisão é "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui os anos de 2023 e, em grau maior, de 2024. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego". As discussões começaram na manhã da terça-feira.


A decisão confirma as expectativas de economistas e agentes do mercado de que o BC não iria ceder à pressão do Executivo, mantendo a taxa em seu maior nível desde 2017, pelo menos por mais 45 dias. Desde agosto de 2022, a Selic está em 13,75%, segundo o banco, visando trazer a inflação de volta para o centro da meta.

A perspectiva geral é de que o BC ainda vá manter os juros básicos em nível elevado por mais algum tempo, uma vez que as expectativas para a inflação no ano superam o teto da meta. A nova projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) é que ele chegue ao fim de 2023 na casa dos 6%.


Aumentar os juros é um instrumento de política monetária para tentar reduzir a inflação. Na teoria, os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir, e estimulam novas alternativas de investimento.


As reuniões do Copom sempre são divididas em duas sessões, a primeira é voltada a apresentações e análises da atual conjuntura econômica do país, e a segunda, destinada à decisão sobre a Taxa Selic, informa o BC. Integram o comitê o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e os diretores da instituição. Chefes de alguns departamentos do banco participam da primeira sessão da reunião.


Ministro da Fazenda mostra preocupação com decisão



O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) é “muito preocupante”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na noite desta quarta-feira (22). Ele comentou a decisão do BC de manter a taxa Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano e o tom do comunicado. Ao anunciar a manutenção da tava, o Copom apontou a possibilidade de novas altas dos juros, se necessário.


“No momento em que economia está retraindo, o Copom chega a sinalizar uma subida da taxa de juros. Lemos com muita atenção, mas achamos que realmente o comunicado preocupa bastante”, declarou Haddad ao deixar o Ministério da Fazenda.


O ministro se disse surpreendido com o comunicado do BC, justamente em um dia em que o governo divulgou novas estimativas que apontam aumento nas receitas e redução do déficit primário em relação ao valor sancionado no Orçamento.


Para Haddad, a divulgação do relatório demonstra o compromisso do governo em reequilibrar as contas públicas. Segundo ele, essa seria uma razão para o BC começar a flexibilizar a política monetária, em vez de endurecer o tom no comunicado.


“Eu considerei o comunicado preocupante, muito preocupante, porque hoje divulgamos relatório bimestral mostrando que nossas projeções de janeiro estão se confirmando sobre as contas públicas”, comentou Haddad.


Harmonia

O ministro disse que repassará as constatações sobre o tom do comunicado do Copom nas próximas reuniões institucionais com o presidente do BC, Roberto Campos Neto. Apesar das divergências com a autoridade monetária, Haddad disse que a relação entre o Ministério da Fazenda o BC deve ser de harmonia e que continuará a ser pautada pela institucionalidade.


“Falei em harmonia desde a primeira entrevista e vou continuar perseverando com esse objetivo. Nunca faltei com respeito com diretor ou com presidente do Banco Central”, afirmou Haddad. “Nós temos relação institucional [com o Banco Central]. Somos órgãos de Estado. Temos satisfação a dar para a população. O BC tem mandato. A lei é clara a respeito dos objetivos do BC”, completou.


Na avaliação de Haddad, os juros altos travam o crédito. O ministro reiterou que a pasta enviará, em abril, medidas para estimular a concessão de empréstimos. “Devemos mandar ainda em abril para a Casa Civil um conjunto de medidas para melhorar o ambiente de crédito”, declarou.







Fonte: Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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