Estiagem e calor provocam redução de 7,1% na estimativa de produção de grãos no RS
- há 1 hora
- 3 min de leitura

A Emater/RS-Ascar divulgou, nesta terça-feira, 10, a segunda estimativa para a Safra de Verão 2025/2026, indicando que o Estado deve colher 32,8 milhões de toneladas de grãos. O volume representa uma queda de 7,1% em comparação à projeção inicial de 35,3 milhões de toneladas feita em agosto passado.
De acordo com o presidente da instituição, Claudinei Baldissera, a revisão negativa é motivada por precipitações insuficientes e irregulares durante fases críticas do desenvolvimento das plantas, além de episódios de calor extremo que prejudicaram as lavouras.
– Os dados que foram apresentados a partir do levantamento da Emater/RS-Ascar apontam uma revisão para baixo, em relação à estimativa inicial dos dados apresentados lá no início da safra, na Expointer. De modo geral, todos os grãos cultivados no Rio Grande do Sul, a estimativa inicial era o Estado colher 35 milhões de toneladas. Se tem uma revisão, e a estimativa é de colher quase 33 milhões de toneladas em todos os grãos. E é claro que tem municípios, assim como regiões, com perdas muito acentuadas, superiores a 50%, e se analisarmos pontualmente produtor a produtor, se tem produtores que as perdas são muito grandes e eventualmente podem até inviabilizar a colheita e que os prejuízos são muito grandes –, analisa Baldissera.
Soja e feijão registram quedas acentuadas enquanto milho apresenta crescimento
A soja, principal cultura do Estado, teve sua estimativa reduzida em 11,3%, passando de 21,4 milhões para 19 milhões de toneladas, afetada também por restrições de crédito e dificuldades na emergência das plantas.
O feijão acompanhou a tendência de baixa, com recuos de 11,6% na primeira safra e 28,6% na segunda. O arroz também apresentou retração de 3,1% no volume esperado.
Em contrapartida, o milho grão registrou alta de 3% na projeção, alcançando 5,9 milhões de toneladas, impulsionado pelo aumento da área plantada e pelo suporte de programas governamentais de incentivo e irrigação.
O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, afirma que a redução da produção de grãos em relação à projeção inicial é reflexo principalmente das condições climáticas que impactaram o desenvolvimento das lavouras em diferentes regiões do Estado.
– Mesmo assim, quando comparamos com o ano passado, observamos um crescimento na produção. Os números também refletem as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, ao longo dos anos, como o endividamento.
Apesar de todas as dificuldades, o uso de tecnologias e práticas adequadas de manejo são essenciais para garantir a produtividade e renda –, ressaltou Brum.
Já o o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, destacou os programas realizados pelo governo do Estado em incentivo ao setor, com o objetivo de enfrentar os desafios climáticos e minimizar as perdas.
– O trabalho da Emater nos permite chegar na ponta, em cada um dos produtores rurais, com as políticas públicas e programas do Estado. Um exemplo é o Programa Milho 100%, que já alcançou cerca de 40 mil produtores em 447 municípios com a distribuição de sementes, que se reflete nas boas perspectivas para a produção de milho na safra atual. Além disso, estamos executando o maior programa de recuperação de solos da história do Rio Grande do Sul, o Operação Terra Forte, que chegará a 15 mil famílias com análise de solo, apoio para aquisição de nutrientes e acompanhamento técnico da Emater, contribuindo para aumentar a produtividade e enfrentar melhor os desafios climáticos –, disse Paim.

.jpg)
Comentários